Hora de falar de edição: por que cortar?

Hora de falar de edição: por que cortar?

Uma peça audiovisual de qualquer formato – um filme, um vídeo, uma propaganda, entre outros – é formada por diversos pedaços de imagens diferentes que são colocados juntos numa determinada sequência pelo <strong>editor</strong>.

A edição, conhecida no cinema mais tradicional (narrativo e documentário) como montagem, é exatamente esse processo de seleção e junção das imagens captadas durante a produção numa determinada sequência, que fundamentalmente define a estrutura do produto. Nisso, o corte – o deslocamento instantâneo de uma imagem à outra – é a ferramenta mais poderosa que o editor possui. Isto levanta a questão: quando realizar um corte? Afinal, por que cortar?

Em produções mais narrativas, o editor trabalha com regras mais tradicionais de cinema, que tem relação com os vários planos (uma imagem de uma cena de um determinado ponto de vista) que o/a diretor/a imaginou e gravou durante a produção. Porém, muitos desses conceitos podem (e devem) ser extrapolados para o vídeo corporativo, propagandístico e derivados.

Existem muitos motivos para se realizar um corte – e também para não cortar. Antes de mais nada, é preciso entender o produto audiovisual – compreender o roteiro e/ou o propósito do vídeo, a mensagem que precisa ser passada, o tema, o contexto em que será apresentado ao público e o material que foi captado em si.

Uma vez que exista uma boa ideia das imagens que serão utilizadas, é a hora de editar o vídeo – e a fazer os cortes entre as imagens.

Para isso, é importante entender algo fundamental sobre edição: o cérebro humano, quando posto diante de duas ou mais imagens em sequência, tende a entendê-las como ligadas entre si. Ou seja, mesmo gravadas em momentos e locais completamente diferentes, com nada (ou pouca coisa) em comum, respeitando-se algumas questões, é possível criar um sentido completamente novo do que as imagens teriam se apresentadas separadamente. O choque entre as imagens gera o significado.

Isso foi uma grande descoberta na história do cinema e é nesse princípio que os filmes se baseiam até hoje. Um famoso experimento que prova isso de maneira concreta é o <a href=”https://www.youtube.com/watch?v=DwHzKS5NCRc”><strong>Efeito Kuleshov</strong></a>. Dada essa fundamentação do processo, foi-se experimentando e descobrindo que alguns tipos de corte funcionam mais que outros.

No geral, o bom editor trabalha com a seguinte ideia: apresentar o máximo de informações no mínimo de tempo possível. Trata-se de ser eficiente de uma maneira equilibrada: não sobrecarregar o espectador nem matá-lo de tédio. O corte ‘ideal’, segundo o famoso editor Walter Murch, segue os seguintes critérios:

1)Refletir a emoção do momento: mesmo em vídeos corporativos, algum tipo de emoção que conecte o espectador ao vídeo é almejada. É preciso levar isso em conta.

2)Avança a história: revela novas informações ao espectador.

3)Mantém o ritmo da edição: acontece no momento ‘certo’, dando ritmo ao vídeo.

Estes são os 3 critérios mais importantes que ele apresenta em seu livro, ‘Num Piscar De Olhos’, de 6 no total (A Regra de Seis). Nem sempre é possível respeitar todos de uma vez, mas, ao ter esse conhecimento como guia, é possível construir vídeos mais eficientes e essencialmente contar histórias melhores.

Tudo o que foi dito aqui é decifrado inconscientemente pelo cérebro humano toda vez que há contato com um vídeo ou filme. O ser humano é capaz de perceber um filme com cortes ruins, pois fica confuso, não se conecta com a história e nos distrai com outras coisas.

Em conteúdos para as redes sociais, plataformas em que o vídeo compete com tantas outras coisas por atenção, no primeiro corte ruim, há o risco de perder o espectador. Por isso, tanta preocupação com a edição.

E aí, vamos fazer cada corte valer?

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